Você percebe que alguma coisa está acontecendo com seu filho. Só não sabe o que fazer depois que percebe.
Seu filho está diferente e você não sabe o que fazer? Veja como observar, entender o que a criança de 3 a 5 anos quer dizer e quando buscar ajuda.
10/5/20263 min read


Ele anda mais choroso. Ou mais bravo. Ou de repente não quer ir para a escola, não quer tomar banho, não quer dormir no quarto dele. Você olha e pensa: meu filho está diferente. E logo vem a pergunta que mais pesa: e agora, o que eu faço?
Se você está nesse ponto, respira. Perceber já é muita coisa. É o primeiro passo, e você já deu.
O que uma criança de 3 anos me ensinou
Uma vez, na sala de aula, eu tinha uma criança de 3 anos que não queria ir para casa. Na hora da saída, ela queria ficar na creche.
Eu prestei atenção. Observei. E fui entendendo: na sala, eu colocava ela para ser minha ajudante. Ela ficava bem pertinho de mim, tinha uma tarefa, se sentia útil. Eu via ela.
Era isso que ela não queria deixar.
Essa criança me lembrou de uma coisa que eu levo para todo canto: o comportamento quase sempre está contando alguma coisa. A gente só precisa parar para ouvir.
Meu filho está diferente: por que isso acontece?
Criança de 3 a 5 anos ainda não sabe dizer "estou me sentindo deixado de lado" ou "estou com medo dessa mudança". Ela mostra. Mostra no choro, na birra, no "não quero", no sono que bagunça, no colo que volta a pedir.
Às vezes a causa é uma mudança grande: um irmão que nasceu, uma escola nova, uma mudança de casa, uma separação. Outras vezes é algo que, para nós, parece pequeno. Uma rotina que mudou. Um adulto que anda mais ocupado.
Nada disso quer dizer que você errou. Muitas vezes, é só o jeito que seu filho encontrou de pedir ajuda.
O que fazer quando seu filho está diferente?
Antes de tentar resolver, observe. Foi o que funcionou naquela sala de aula, e funciona em casa também.
1. Repare quando acontece. É na hora de dormir? Na saída da escola? Quando você chega do trabalho? O momento costuma dar a primeira pista.
2. Anote por alguns dias. Pode ser no celular, do jeito mais simples: o que aconteceu, a que horas, o que veio antes. No meio da correria muita coisa passa. No papel, um padrão aparece.
3. Pergunte de um jeito que ela consiga responder. "O que aconteceu na escola?" costuma virar "nada". Tente: "Qual foi a parte mais chata do seu dia?" ou "Teve alguma hora hoje em que você ficou triste?"
4. Dê um lugar para ela perto de você. Aquela criança da creche me mostrou isso. Ajudar a pôr a mesa ou escolher a fruta do lanche pode dizer "eu vejo você" melhor do que muita conversa.
5. Diga o que você está vendo, sem bronca. "Percebi que você anda chorando mais na hora de dormir. Eu estou aqui." Ela não precisa explicar nada. Basta saber que você notou.
Nem sempre funciona de primeira. Às vezes leva dias até a criança se abrir, ou até você ligar os pontos. Tudo bem.
O que evitar nessa fase?
Evite tirar conclusão rápida, tanto a de que "é só manha" quanto a de que "tem alguma coisa muito errada". Evite também comparar com o irmão ou com o filho da vizinha. Cada criança mostra as coisas do seu jeito, no seu tempo.
Quando procurar ajuda?
Converse com o pediatra ou com um profissional de confiança se a mudança durar várias semanas, se atrapalhar o sono, a alimentação ou a brincadeira, se a criança voltar a fazer coisas que já tinha deixado para trás, ou se ela parecer muito triste ou com medo.
Procurar ajuda também é cuidar.
Você não precisa ter todas as respostas agora. Vamos juntos encontrar o caminho. 💛
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