O que fazer quando a criança chora?

Seu filho chorou e você pensou logo: o que eu faço? Veja o que fazer quando a criança chora, começando por entender o que ela sente.

Conte Comigo

10/7/20263 min read

Você costuma pensar primeiro: "O que eu faço?"

Fim da tarde, saída da escola. Seu filho(a) queria ir no balanço mais uma vez. Você avisa que é hora de ir embora, e ele se joga no chão. "Não quero! Só mais uma!"

Na hora, a cabeça corre para uma pergunta só: o que eu faço? Se você costuma pensar isso primeiro, não está sozinho(a). E existe um passo que vem antes, que muda muito o que acontece depois.

Por que a gente pensa primeiro "o que eu faço?"

Porque a gente quer resolver. A criança está sofrendo, as pessoas estão olhando, o tempo está curto. Querer que o choro acabe logo é natural. Isso não faz de você um adulto ruim.

Só que, quando a gente pula direto para a solução, costuma agir no susto. Promete um doce, levanta a voz, cede ou ameaça ir embora sem ela. Às vezes o choro para. Mas a criança fica sem entender o que sentiu, e o adulto fica com a sensação de que perdeu o controle.

Entre 3 e 5 anos, a criança sente muito e ainda tem poucas palavras para explicar. O choro e o corpo no chão são o jeito que ela encontra de mostrar. Ela está aprendendo a reconhecer o que sente. E aprende isso com a gente.

O que fazer quando a criança chora?

Antes de perguntar "o que eu faço?", experimente perguntar "o que ela está sentindo?". Aqui na Conte Comigo, a gente segue três passos: reconhecer, acolher e experimentar.

1. Reconhecer: o que está acontecendo aqui?

Pare por alguns segundos. Respire. Olhe para a criança antes de olhar para quem está em volta.

Ela ficou com raiva porque a brincadeira acabou? Está cansada depois de um dia inteiro na escola? Está com fome? Muitas vezes o choro do balanço é o cansaço do dia todo que saiu de uma vez.

Você não precisa adivinhar certo. Só de parar para olhar, você já sai do modo "apagar incêndio".

2. Acolher: dar nome ao que ela sente

Abaixe na altura dela. Fale baixo e devagar. E diga o que você está vendo:

"Você ficou bravo porque queria brincar mais." "Eu sei. É chato ir embora quando está gostoso." "Estou aqui com você."

Acolher não quer dizer mudar a decisão. Vocês vão embora do mesmo jeito. A diferença é que ela vai embora sabendo que alguém entendeu o que ela sentiu.

Se ela chorar mais forte nessa hora, tudo bem. Às vezes a emoção cresce um pouco antes de baixar. Fique por perto.

3. Experimentar: um caminho para seguir

Quando o choro diminuir, aí sim chega a hora do "o que eu faço". E dá para fazer junto com ela:

"Você quer ir no meu colo ou de mãos dadas?" "Vamos contar quantos carros vermelhos a gente vê no caminho?" "Amanhã a gente volta e você escolhe o primeiro brinquedo."

Uma pequena escolha devolve um pouco do controle que ela sentiu que perdeu. E ajuda vocês dois a seguir em frente.

O que evitar nessa hora?

Evite dizer "não foi nada" ou "para de chorar". Para a criança, foi alguma coisa. Ouvir isso pode fazer ela achar que o que sente está errado.

Evite também explicar demais no meio do choro. Com a emoção alta, ela não consegue ouvir uma explicação longa. Deixe a conversa para depois, quando os dois estiverem calmos. Na hora do banho ou antes de dormir costuma ser um bom momento.

E se você perder a paciência? Acontece. Depois, você pode dizer: "Eu perdi a paciência e falei alto. Desculpa." Isso também ensina.

E quando o choro é muito frequente?

Choro faz parte dessa idade. Mas se as crises estão muito fortes, muito longas ou acontecem quase o tempo todo, converse com o pediatra ou com um profissional de confiança. Pedir ajuda também é cuidar.

Nem sempre vai sair como você planejou

Tem dia que você vai lembrar de tudo isso. Tem dia que vai ser no susto mesmo. Está tudo bem. Cada vez que você para e olha antes de agir, a criança aprende um pouco mais sobre o que sente. E você também.

Se quiser um caminho pronto para conversar sobre emoções com seu filho(a), o Coração que Cresce tem as 10 Jornadas Emocionais. São histórias com o Leo e o Nino, um elefantinho que acompanha sem resolver, seguidas de uma conversa e de uma atividade para fazer juntos. Tem jornada da raiva, da frustração e de mais oito sentimentos.

Estamos aqui com você. 💛